A categoria jovem adulta é muito questionada no seu papel de importância além do entretenimento.
Livros de categoria YA (Young Adult), jovem adulto traduzido para o português, abrangem leitores na faixa etária adolescente e adulta. Existem vários gêneros que são inseridos nessa categoria, como romance, fantasia, distopia, ficção científica, entre outros. Além disso, nela surgiram grandes best-sellers, como a do famoso bruxo Harry Potter, a trilogia Jogos Vorazes, Crepúsculo, A culpa é das estrelas e muito mais.
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| Babi Dewet/Foto Divulgação |
Adaptações de Livros YA
Os fenômenos literários citados anteriormente têm algo em comum, todos eles foram adaptados para o cinema. "Quantos jovens não começaram a ler com Harry Potter, Crepúsculo e Percy Jackson porque existia, também, essa ideia de assistir ao filme antes ou depois? E atualmente, até com os filmes da Thalita Rebouças (Fala sério, mãe!) e da Luly Trigo (Meus 15 anos)?" ressalta Babi Dewet e finaliza "É uma abertura e precisa se explorada".
Os fenômenos literários citados anteriormente têm algo em comum, todos eles foram adaptados para o cinema. "Quantos jovens não começaram a ler com Harry Potter, Crepúsculo e Percy Jackson porque existia, também, essa ideia de assistir ao filme antes ou depois? E atualmente, até com os filmes da Thalita Rebouças (Fala sério, mãe!) e da Luly Trigo (Meus 15 anos)?" ressalta Babi Dewet e finaliza "É uma abertura e precisa se explorada".
As adaptações são uma forma excelente de fazer alguém pegar o seu primeiro livro ‘sem figuras’ e perceber como a leitura é divertida. E não somente no cinema, as séries estão cada vez mais presente no cotidiano das pessoas e várias delas são oriundas de livros. Game of Thrones é um exemplo que incitou seu público a ler, o que não é um trabalho muito fácil, afinal é praticamente 5 mil páginas, sem contar os lançamentos que estão por vir.
90% dos livros YA são lixo
O festival internacional de livros de 2016 em Edinburgh na Inglaterra, trouxe declarações polêmicas em volta dos livros YA do escritor inglês Anthony McGowan, ele afirma que 90% dos livros YA são lixo. A escritora Babi Dewet não concorda com a afirmação, pois acredita que essas pessoas que dizem isso não compreendem como o mundo acontece fora da vivência deles. “Um livro pode ser ruim pra mim, mas pode salvar a vida de outra pessoa. Quem afirma isso, não tem visão e empatia."
Além dessa declaração, para Anthony McGowan adolescentes e jovens adultos são consumidores desse tipo de literatura, mas ele não consegue admitir que adultos também lessem "Eu não acho que os adultos devam ler livros YA, eu acho que eles deveriam seguir em frente e ler Tolstoi e Dostoiévski ou Dickens e parar de ler Crepúsculo e Jogos Vorazes" e completa "É parte de ser um adulto, você deixa essas coisas para trás." A autora inglesa Patrice Lawrence o rebateu dizendo "Eu tenho 49 anos, então vivi mais anos da minha vida do que me resta para viver e não vou perder esses anos lendo Dostoiévski e Tolstoi!".
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| Bárbara Morais/Foto Divulgação |
Para a sociedade jovens entre 13 aos 18 anos são incapazes de ter pensamento crítico, discernimento, e são inconsequentes. Logo assim, adicionam essas características aos livros direcionados a esse público: bobos, levianos e sem assuntos sérios, mas na realidade atualmente, os livros que estão tratando de temas importantes como questões de gênero, preconceito, abuso sexual e distúrbios alimentares são justamente os de categoria jovem adulta, “YA é uma classificação mercadológica e de marketing, não é indicativo de qualidade nem gênero literário” conclui Bárbara.
Livros YA x vida adulta
A declaração de McGowan de não admitir que adultos lêem livros YA, está presente nos julgamentos de uma vida literária, "ouço sempre que eu não sou adulta porque eu leio livros jovens, mas o que essas pessoas conhecem sobre mim? É julgamento!", diz Babi. Isso, pode acarretar em cobranças próprias, o que é importante para conhecer novos tipos de leitura, contanto que não estrague seu hábito de leitura.
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| Victor Almeida/Foto Divulgação |
O hoje da literatura YA
Um exemplo disso, é lembrado pelo youtuber Victor Almeida ao citar o livro nacional de estréia do amigo escritor Vitor Martins, chamado 'Quinze Dias' "Fui ler, porque era um livro de um amigo, mas realmente me surpreendi com a sensibilidade com que ele trata os personagens. O protagonista é gordo e vemos como ele lida com isso, além de ser um livro lgbt."
Fim do preconceito
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| Foto: Livraria Parnassus Books - Nashville |
“Como tudo no Brasil, as pessoas querem que a leitura seja um privilégio de poucos, e o preconceito contra YA aqui dentro, vem um pouco dessa postura, que é um dos motivos de termos tanta dificuldade e resistência para formar leitores”, opina a escritora Bárbara.
O preconceito existe e para que ele possa ao poucos acabar precisa-se de mais trabalhos como que alguns autores como Bárbara Morais fazem, de irem em escolas, conversarem sobre leituras, organizarem clubes de leitores, promoverem a discussão sobre títulos, indicarem e fazer uma curadoria de obras, porque tudo isso contribui para que as obras alcançam mais pessoas e derrubem gradualmente o preconceito, “tem que acabar com a ideia de que a leitura não é para mim, leitura é para todo mundo. Tem um livro que é o ideal para cada pessoa, e ele pode ser do Machado de Assis ou pode ser da Meg Cabot” finaliza a escritora.
É necessário que a sociedade seja mais empática ou tenha mais empatia as vezes um livro não tenha lhe agradado, mas para outra pessoa pode ter mudado sua vida, "essa concepção de que existe uma "alta literatura" tem que mudar, porque parte do princípio que existe uma baixa também, algo inferior. Essa discussão precisa acontecer com frequência e as pessoas precisam ouvir" conclui a escritora Babi Dewet.





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